segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Aula de Varejo: A solução final

Aula de Varejo
1a e única

Isso é tudo o que você precisa saber sobre varejo. Aprenda com os melhores.

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Quinta-feira saí da minha casa, feliz e lampeiro e fui comprar um presente para minha senhora.

Me dirigi a aquele antro do consumo que é o Shopping Iguatemi, entrei numa loja e fui prontamente atendido, saindo da loja quinze minutos depois com uma bonita blusa para minha mulher.

E aí que a estória se complica.

Acontece que a tal blusa ficou pequena. E eu, cavalheiro que sou, me ofereci para trocar por uma do tamanho dela. Grande erro.

Cheguei na tal da loja no sábado de manhã. A vendedora que havia me atendido não estava lá, vi somente uma daquelas loiras de farmácia, com sotaque viking, e uma morena que parecia o coringa, com uma maquiagem borradona na cara, parecia que tinha saído da balada e ido direto pra loja.

Bom, cheguei com a blusa e pedi por favor para ela trocar para mim a blusa que havia comprado por um número maior.

"Não tem."

Putz, que bosta, justo hoje que tinha acertado o que minha namorada gostava. Bom, foda-se, pedi para ver o que ela tinha no tamanho correto (só para efeito de esclarecimento, não é que a Sra. Enxaqueca pese 120 kg, ela usa roupas de uma tamanho bem normal).

"Olha, tenho esse aqui. Custa um pouquinho mais do que você pagou."

Ela me mostrou UM modelo. Pedi para ver outros.

"Sabe o que é, a gente está em final de promoção, então só tem esse."

Bom, então tá, né. Tinha achado bacaninha o que ela tinha me mostrado, então resolvi que ia levar aquela mesma. Só quis brigar um pouco pelo preço, e pedi que ela não cobrasse a diferença, alegando que ela não tinha nenhum outro produto para me oferecer.

"Não posso, já está na promoção."

Enfim, foda-se. Vou pagar a merda da diferença e dane-se. Sou trouxa mesmo.

"Ai, desculpa, mas estou olhando agora e não tem do tamanho dela."

Caralho, fiquei brigando com a porra da loira oxigenada, chorando preço, querendo trocar e nada. Puta que pariu, a loja não tinha produto para vender. Por que está pagando aluguel no shopping iguatemi então se não tem o que vender. Perdi a paciência e pedi que me devolvesse o dinheiro então que eu iria no concorrente.

"Ai, moço, mas sabe o que é, o nosso caixa fica trancado, eu não tenho acesso, então não consigo tirar o dinheiro para te devolver."

Ela me mostrou um sistema incrível que funciona da seguinte forma: o caixa é uma gaveta trancado com um furo no meio. Por esse furo ela enfia o dinheiro, cheque ou papel do cartão. Quando recebe em dinheiro, vai numa loja do lado e pede que troque. Só a gerente tem a chave.

Nessa hora eu comecei a ficar puto da vida. Porra, não tem o produto para trocar, me ofereceu um mais caro, que acabou não tendo também, e não tem a grana para devolver? É festa? Chama a gerente aí!

"Ai, moço, mas ela tá de folga hoje, se o senhor quiser eu posso tentar ligar."

Evidente, minha filha. Liga logo aí, porra.

"Ai, ela não atende."

E então, qual é a sugestão que você me apresenta?

"Não tem sugestão, vou ter que pedir para o senhor voltar outra hora."

Eu não tenho outra hora pra voltar. Tenho que resolver isso já! O presente é para a sra. Enxaqueca usar hoje, então tenho que sair daqui com uma alternativa!

"Senhor, não posso fazer nada."

Bom, se vira. Vai buscar um empréstimo em outra loja e me devolve meu dinheiro.

"Não posso fazer isso não, moço."

Nessa hora a Coringa tá me olhando com um sorriso irônico, como se eu fosse um idiota por estar falando aquilo. A loira de farmácia tá me olhando com aquela cara de "sou consultora de vendas de loja chique, não me incomode com trivialidades".

Filha, tem outras lojas dessa marca? Se tem, liga lá e vê se tem o produto que eu comprei. Naquela velocidade sem pressa ela vai ligando para duas, três lojas enquanto a Coringa fica olhando. Acho que ela devia estar em treinamento com a vendedora senior que era a loira de farmácia e tinha muito a ensinar.

"Senhor, tem no shopping cidade jardim, o senhor quer que eu reserve?"

Não, filha, quero que você peça a um motoboy que entregue aqui enquanto eu vou fazer o que tenho pra fazer, volto em uma hora.

"Mas senhor, hoje é sábado, eu não tenho motoboy para solicitar e, mesmo se tivesse, não posso tirar dinheiro do caixa para pagar ele."

É mesmo? Liga nesse número aqui que é de serviço de motoboy e abre hoje.

"Ai, senhor, mas nós não temos dinheiro para pagar. O senhor quer que eu peça à loja para reservar?"

Bom, saí da loja depois de explicar à loira de farmácia o quanto ela era incompetente, e que não servia para nada, e se esse era o melhor que ela podia fazer, eu sentia muito, pois ela estava condenada a ser uma vendedora de loja sem acesso ao caixa para o resto da vida.

Fui à outra loja e, depois de me perder para chegar ao tal shopping Cidade Jardim, consegui fazer a troca.

Tempo gasto: 2h e 37min.

Moral da estória:

Depois que alguém já entregou seu dinheiro a você, se ele vier a pedir qualquer coisa, olhe nos olhos dele, sorria e diga, alto e claramente:
"Pau no seu cú."

3 comentários:

caio disse...

incrivel!! bota o nome da loja aí pra gente não cair na mesma armadilha...

Anônimo disse...

Caião,

você como empreendedor, que tem a dizer - comenta aí sua experiência, vai.

caio disse...

bom, do ponto de vista do cliente, nada. sua analise foi perfeita. do ponto de vista do dono (vai se preparando aliás):
- pense em todas as experiencias que o cliente terá com vc (compra, troca, website, entrega). pense em sistemas que facilitem a vida do usuário e treine sua equipe. se prepare para 30% dos casos dá merda...
- tudo tende ao equilibrio. se seu PL só permite pagar R$1k prum funcionario, é um funcionário de R$ 1k que vc vai ter. vai dá merda uma hora com alguém
- o turnover é altissimo. vai dá merda uma hora com alguém
- cliente nenhum reclama, eles simplesmente não voltam..o que fez foi um tremendo favor pros caras...