segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Eu juro que eu tento...

Todo começo de semana eu tento trabalhar. Venho do fim de semana preocupado, me sentindo meio culpado por que as coisas não andam tão bem, e tenho minha cota de responsabilidade nisso, não consigo dar 100% de esforço no trabalho.

Trabalhar no Brasil com produtos importados de luxo é um martírio. Quem vê de fora só enxerga a parte boa. As viagens, os eventos, as joalherias bonitas...mas a realidade é crua...

Hoje de manhã o despachante me ligou pra avisar que houve um roubo em uma carga que estamos recebendo. Eram 92 relógios, quando abriram o pallet havia somente 81. Não dá pra saber onde foi o roubo e não é certeza que o seguro vá pagar...vai dar muita briga pra receber...

Bem, assim que a mercadoria chega no Brasil, para poder mexer nela, é preciso pagar todos os impostos de nacionalização. Essa carga de 92 relógios já estava paga...

Perguntei ao despachante como ficam os impostos dos 11 relógios que não recebi. Isso foi o que estragou a segundona...Ele me disse que o governo não devolve o imposto pago a mais...que vai ver com o contador se vale a pena dar entrada dos 92 relógios no estoque da empresa, comunicar a perda aqui e pelo menos usar o crédito de impostos...

Isso já é motivo de desespero certo? Pagar impostos sobre uma mercadoria que não recebi...que foi roubada !!! Calma, que em se tratando de receita federal sempre pode piorar...ele me comenta também que teremos que pagar uma multa pois declaramos que viriam 92 e vieram somente 81 relógios. A legislação prevê que nesses casos em que a diferença entre o informado e o real o importador deve pagar 50% do IPI de multa...

Ah, sem contar o fato de que já paguei à fábrica pelos relógios roubados...e que eram lançamentos, portanto os clientes aqui vão ter que esperar...

Juro que tento trabalhar...mas será que estou perdendo tempo aqui? Ainda vale a pena pois o boleto da escola e o aluguel é pago todo mês...mas já está cansando...estou preocupado, tô ficando com saudades de uma mesa sossegada numa "firma grande" em que seria somente um número...socorro !!!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Trip mudou ou eu que mudei?

A Trip foi lançada em 1986. Eu tinha 15 anos na época. Acompanhei a revista desde o início, era uma das poucas que eu comprava em banca. Gostava de praticamente tudo.

A revista foi de vanguarda. Música, cultura, comportamento, a Trip sempre dava antes. Tinha inclusive um slogan uma época sobre isso pois a Trip fazia ensaios sensuais com algumas gatas que depois ficavam famosas. Aí era só dizer que "A Trip deu antes".

Recebo a Trip e a TPM todos os meses aqui na firma, estou no mailing deles. Ano passado mandaram um email pedindo opinião sobre a revista, respondi na maior boa vontade destacando o que acho que está ruim. Esse ano não respondi...

Decidi escrever esse post porque na última edição eles falam de educação. Entre as inúmeras barbaridades tem uma entrevista com Ricardo Semler e Gustavo Iochpe. Os dois tem opiniões diametralmente opostas sobre educação. O conceito do Semler é muito bonitinho mas não é aplicável na prática. O do Iochpe é totalmente prático. Adivinhem com quem concordo?

Voltando à revista, fica claro nas outras matérias o viés totalmente esquerdista amalucado. Ok, é a pegada da Trip desde sempre. Mas enquanto eles estão falando de temas para adultos não dou a mínima, afinal adultos teoricamente sabem se defender. Mas propor essas doideiras para crianças é foda...

Mas o ponto do Post é outro...como é que uma revista que cheguei a colecionar hoje me parece tão idiota? Eu mudei ou a Trip mudou? Acho que as duas coisas aconteceram...a revista no começo era de vanguarda, alternativa, mas também mais leve. Não se embrenhava em temas tão complexos.

Pois há temas que precisa ter responsabilidade. Educação é um deles. Por isso que a teoria da escola do Semler ( Lumiar) de dar poder de decisão aos alunos me parece uma tremenda bobagem. É claro que se pode escutar os alunos e tentar adequar as coisas para que o ambiente seja o melhor possível. Mas não dá pra esquecer que quando você é criança ou aborrecente a última coisa que te interessa é estudar. E no entanto é o que vai te fazer falta lá na frente...

Eu mudei? Claro que sim, acho que mudei pra melhor, cresci, amadureci. Sou uma pessoa mais completa e lúcida que aos 20 anos de idade. Já a Trip com 25 anos de idade me parece pior pois se acha esperta quando na verdade é sonsa. É totalmente vendida mas posa de independente.

Escola com disciplina

Há uns 3 anos a minha filha menor perguntou o que era "disciplina". Ela tinha 4 anos na época. Antes de responder ( e pra ganhar tempo) perguntei o que ela achava que era. A resposta foi que disciplina é "levar bronca". Achei divertido o ponto de vista, mas disse que achava que disciplina era a capacidade de conseguir aquilo que queremos. Óbvio que as duas fizeram cara de ?????

Expliquei que quando se tem disciplina a pessoa consegue focar nos seus objetivos e perseguir os passos necessários para conseguir o que quer. O que acontece é que como elas são muito pequenas, ainda somos nós, pais e professores, que direcionamos elas para o que é melhor, afinal elas ainda não sabem avaliar por si mesmas.

Mas disse a elas que no futuro elas é que vão decidir o que é melhor pra elas. E essa capacidade de ter disciplina é que vai permitir a elas se formar, conseguir um trabalho, estudar no exterior, montar uma empresa ou emagrecer. Sei lá o que vão querer fazer da vida, mas se tiverem disciplina vão conseguir. E vão fazer bem feito.

Então esse papinho furado de deixar as crianças "soltas" para desenvolverem seu potencial pra mim é balela. Não estou defendendo aqui a escola do Pink Floyd...mas se deixar na mão dos alunos as aulas seriam ao ar livre fumando maconha...


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Essa vai para o Oco...

Primeiro quero deixar meu protesto aqui. Postei dois vídeos espetaculares, superficiais, totalmente masculinos esperando comentários cheios de testosterona e o que recebo? Meus colegas virtuais me ignoram solenemente....lamentável...

Bem, protesto feito, vamos ao tema. Lars Von Trier ( Oco ! Oco ! Oco ! Oco ! )

Assisti a Dogville e Manderlay. Mantenho minhas críticas aos dois filmes. Acho que ele subutiliza a linguagem cinematográfica ao filmar o que seria uma peça de teatro de baixo orçamento para eu assistir no cinema. E acho as histórias rasas, a não ser que eu não tenha entendido ( o que é provável).

No entanto, na Veja dessa semana tem uma entrevista do cara. Uma frase já me ganhou, quando ele cita Marilyn Monroe que disse:

"se você não aguenta meu pior, não merece meu melhor"

Essa disposição em remar contra a corrente é digna de reconhecimento no mundo pasteurizado de hoje. O cara elogiou o Hitler em Cannes e foi massacrado por isso ( era uma piada! ). Quem conhece a obra dele poderia imaginar isso. Foi uma piada ruim, é fato, mas nada mais que isso.

Já em relação aos filmes, ele explica um pouco de seu processo criativo para o filme Anticristo. Palavras dele:

" A personagem não é uma mulher no sentido exemplar: ela sou eu. Bolei um truque muito esperto. O que faço é escrever um filme sobre mim, dividindo-me em dois personagens masculinos. Daí escrevo vários papéis femininos - todos de mulheres que são idiotas, idealistas ou covardes. Clichês, enfim. Mas na hora de começar a rodar inverto os papéis: os masculinos se tornam femininos e vice-versa. Porque os homens de hoje são tão acovardados que, se eles aparecerem como tal num filme, ninguém vai achar que isso é um clichê e criticar. Parece realista e pronto. Entretando se eu colocasse uma mulher estúpida ou covarde como protagonista a gritaria viria na hora. Para não dizer que, sendo homem, eu não seria capaz de criar do zero uma protagonista feminina completa. Então uso a esperteza, escrevendo de um jeito e filmando de outro. Ou seja, quando me acusam de misógino porque submeto minhas personagens femininas a sofrimentos e humilhações, estão na prática me acusando de detestar a mim mesmo, já que elas são eu, um homem"

Tive que ler umas 3 vezes pra entender...imagine então assistir o filme sem saber disso? Sou meio tosco mesmo, admito. Pra mim é assim: Quer me dizer algo? Fale claro e direto. Acho que o cinema deve ser mais direto, é pouco tempo pra assistir, a mensagem tem que ser mais clara e instantânea se quiser atingir as pessoas. Quer ser complexo? Escreve um livro...

Me lembrou um filme com o Jim Carrey, "Man on the Moon" que conta a história do comediante Andy Kaufman. O cara foi um gênio da comédia na década de 80 nos States. Fez muito sucesso e como parte disso tinha direito na emissora a fazer um especial de fim de ano com liberdade artística total. Ele produzia o programa, entregava em cima da hora, e a emissora colocava no ar. Sem mudar nada.

Bem, em um das vezes, ele coloca no meio do programa imagens de estática. Então quem estivesse asssistindo pensaria que tinha um problema na antena, daria uns tapas na TV, essas coisas. E ele seria o único que saberia que aquilo era de propósito. Uma piada totalmente individual.

Por que acho parecido? Pois o cara era um gênio, mas aos poucos perde a mão. Como não se esforça em usar de forma produtiva o meio, acaba virando um filme chato. E aí ninguém assiste. E se ninguém assiste, sua mensagem fica limitada. E acredito que parte do objetivo de um cineasta que tem algo a dizer é chamar a atenção de mais gente e se fazer entender.

Acho genial quem consegue equilibrar forma e conteúdo. Por isso admiro Paulo Coelho por exemplo. Embora ele dê peso excessivo à forma, mais de uma vez me surpreendi achando bacana pensamentos que ele escreve ou divulga. Coisas que muita gente tem acesso por conta da enorme popularidade que ele obteve ao dominar com maestria a escrita. Você pode não gostar, mas os livros dele são muito fáceis de ler...

Talvez eu esteja fazendo uma auto-crítica, pois acho que muitas vezes faço textos muito complexos. Acreditem se quiser mas escrevo e re-escrevo várias vezes antes de postar. Fico me colocando do outro lado, pensando: Eu entenderia a idéia somente lendo esse texto? Não sei se sou bem sucedido....Abratz !!