quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pensamento do dia

Se o homem é viciado em sexo, mulher vira traficante.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sucesso II

Estou longe de ter a fórmula do sucesso. E acho que ninguém tem. A história das 10.000 horas é um bom caminho, mas por si só não resolve. Mas vou arriscar aqui umas opiniões e continuar o tema muito bem comentado pelos nobres colegas.

Empresas grandes - Multinacionais

No post do Rivotril ele comenta sobre a dinâmica de empresas onde o "como" você faz é mais importante do que "o que" você faz. Acho que isso acontece em qualquer organização. Uma empresa é um conjunto de pessoas unidos em busca de um objetivo que não pode ser atingido por uma pessoa individualmente. Se o presidente da Sadia pudesse criar o frango, depenar, vender, entregar e cobrar sozinho, ele faria isso e ficaria com o lucro de todas as etapas. Como não pode ele junta pessoas para fazer tudo.

Em qualquer grupo de pessoas, a partir de um determinado tamanho, passam a contar aspectos políticos. Amizades, simpatias, interesses, preferências momentâneas, pressões, temores, tudo se retroalimentando enquanto as pessoas buscam seus objetivos individuais ao mesmo tempo que os objetivos gerais do grupo. Vale para empresas, ONGs, escolas, time de futebol, igrejas, reality shows...

Portanto viver em grupo te obriga a participar da política desse grupo. O quanto você se envolve afeta o seu destaque dentro do grupo e o seu sucesso. Acredito que nossa cultura, que valoriza bastante relacionamentos, faz com que a política dentro das empresas assum um papel desproporcional. Em muitos casos, é mais importante ser legar do que entregar o resultado. O bom ambiente vem antes do lucro. Eu também não me adapto a isso, mas é como as coisas são.

Brasileiros trabalham pouco ?

O post anterior cita o japa catador de beringelas, que pelo jeito não trabalha pouco. Tem um sucesso relativo, pois está bem melhor que muitos mas pior que o Samuel Klein.

Aho que o brasileiro trabalha muitas horas pois é pouco produtivo. Fala-se demais, há muitas reuniões e discussões. Muita importância é dada para como as pessoas se sentem e a gestão de pessoas vira uma salada socio-psicológica misturada com amizades que toma um tempo absurdo da organização. A objetividade não é valorizada.

Não é exclusividade brasileira, a maioria dos latinos é assim, e argentinos por exemplo são bem piores que nós em algumas coisas. A disposição dos hermanos de discutir por discutir é impressionante ( além da tendência a não cumprir os acordos ou prazos...).

Gosto do modelo americano, mais focado em produtividade. Li recentemente que a produtividade da indústria americana aumentou após a crise de 2008. Os caras sentiram a água bater na bunda e buscaram melhorar. Por outro lado eles tem uma competitividade exacerbada que enche o saco.

Os europeus que conheço são de 2 tipos. Os de origem mais alemã são ótimos pra trabalhar, chatos pra cacete, mas o que está combinado será feito. Perfeito quando eles estão lá longe. Eu não quero ser amigo deles, quero que os prazos se cumpram.

Os mais latinos ( franceses e italianos) são mais legais para jantar de negócios, bebem mais e melhor e conversam bem. Mas são mais enrolados e os franceses em particular quebram acordos com uma facilidade e cara de pau impressionantes.

Em todo caso, o que percebo nos europeus é que em geral são produtivos. Querem terminar logo o dia e ir pra casa ou sei lá onde fazer o que gostam, que obviamente não é trabalhar.

Povos orientais ( olhos puxados) tem outra filosofia de vida. O dever vem em primeiro lugar. Isso os torna um tipo diferente de trabalhador, fica até difícil comparar. Eu gosto bastante da idéia de disciplina da cultura japonesa por exemplo, mas novamente acho que eles radicalizam.

Como medir o sucesso

Vindo trabalhar hoje ( agora levo quase 1 hora pra vir) vim escutando rádio e me inspirei para fechar o post. Claro que eu estava escutando o melhor gênero musical de todos os tempos indiscutivelmente >>>> Rock...




Wasted Years

Iron Maiden

From the coast of gold, across the seven seas

I'm travelling on, far and wide

But now it seems, I'm just a stranger to myself
And all the things I sometimes do, it isn't me but someone else

I close my eyes, and think of home
Another city goes by, in the night

Ain't it funny how it is, you never miss it til it's gone away
And my heart is lying there and will be til my dying day

[Chorus]
So understand
Don't waste your time always searching for those wasted years
Face up...make your stand
And realize you're living in the golden years

Too much time on my hands, I got you on my mind

So understand
Don't waste your time always searching for those wasted years
Face up...make your stand

And realize you're living in the golden years


Enquanto escutava, comecei a pensar como o sucesso é relativo. O Iron tem várias letras sobre guerra, uma realidade próxima para ingleses de mais de 50 anos. A energia das músicas é impressionante, e quando escuto Wasted Years ou Aces High a sensação é de estar pilotando um Spitfire metralhando uns nazi motherfuckers...

-- Top Gun o caralho...fora que o Tom Cruise tá muito gay no filme...

Quanta gente igualzinho a eu e vocês não perdeu a vida na 2a. Guerra sem motivo algum? Para quantos deles a medida de sucesso não foi simplesmente sobreviver? Terminaram o conflito aleijados, pobres, sem família ou amigos? Para quantos aqueles anos não foram simplesmente Wasted Years, anos passados esperando a guerra terminar. Na história da humanidade, os períodos de paz são bem menos frequentes que os de guerra. Se ampliar o conceito de guerra para turbulências de maneira geral como crises econômicas, desastres climáticos, secas ou inundações a coisa fica pior ainda. Vivemos desde a revolução industrial um período de avanço extraordinário, brevemente interrompido pelas 2 grandes guerras. E mesmo assim, a maioria de nós não se sente bem sucedido.

O quanto disso não vem de uma comparação que se faz com exemplos absurdos como o cara da Microsoft, Google ou Facebook? Ou Samuel Klein ou Abílio Diniz? Ou a Madonna? O Tiger Woods? São exceções, pouquíssimos podem ser como eles, e mesmo assim eles ocupam um espaço enorme no imaginário das pessoas.


Acho importante definir pra si mesmo o que é sucesso. Pode ser uma casa na praia, um carro bacana, um negócio próspero. Ter filhos, família bacana, amigos. Ser Feliz ! Não importa o que seja, mas tem que ser seu, individual. Pois pode ser que você já tenha sucesso e não saiba...


Mas é muito foda mesmo, pois somos influenciados pelos outros e pelo que nos cerca. Estamos contentes em ter um Ipod e o FDP do Jobs lança o Ipad. Que já está caducando em breve. O mesmo para Tvs de plasma/LCD/led/3D e milhares de outros exemplos.

Voltando ao início, não sei a fórmula do sucesso. Mas sei que uma das maneiras de fracassar é ficar nessa corrida louca atrás das últimas novidades. É se deixar levar pelo que os outros pensam. É não ter consciência do que importa pra si mesmo.

" It´s so lonely when you don´t even know yourself..."



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Da série Música pros Manos

A idéia surgiu quando estava andando de bike e ouvindo música e me lembrei que andava com o Masa de bike aí em sp, e nessa hora tava tocando uma música que tem tudo a ver com o cara, então nas minhas andanças de bike vou ouvir mais músicas e colocar uma pra cada um dos manos do brog

aê Masa, é mais a letra do que a melodia...

Pearl Jam
Indifference

I will light the match this morning so I won't be alone watch as she lies silent for soon that will be gone oh,
i will stand arms outstretched pretend i'm free to roam oh,
i will make my way throughone more day in hell

How much difference does it make?how much difference does it make?

I will hold the candleuntil it burns up my armoh, i'll keep taking punchesuntil their will grows tiredoh, i will stare the sun downuntil my eyes go blindhey, i won't change direction and i won't change my mind.

How much difference does it make?how much difference does it make?

I'll swallow poisonuntil i grow immunei will scream my lungs outtill it fills this room

How much difference…how much difference…how much difference does it make?how much difference does it make?

Indiferença
Eu acenderei o fósforo esta manhã,então eu não estarei só
Olhe como ela mente silenciosa,logo a noite terá ido
Oh, eu esticarei meus braços,finjirei ser livre para vagarOh, eu farei meu caminho por maisum dia no inferno...

Quanta diferença isso faz?Quanta diferença isso faz?

Eu segurarei a velaaté que queime meu braço
Oh, eu continuarei dando socos até que ficar cansado
Oh, eu encararei o sol se pondoaté ficar cego
E eu não mudarei a direção,e eu não mudarei de idéia

Quanta diferença isso faz?Quanta diferença isso faz?

Eu beberei veneno até que fique imune
Eu gritarei com meus pulmões até que encha este quarto

Quanta diferença...Quanta diferença...Quanta diferença isso faz?Quanta diferença isso faz..?



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sucesso

Depois de ler o Post do OCO e também a matéria da Super Interessante resolvi escrever sobre o sucesso e dividir com vocês minhas dúvidas.

Um amigo é dono de um Hortifruti, o pai é descendente de Japonês e começou com uma quitanda, o velho acordava as 3h da matina e ia de caminhão para o Ceasa todos os dias voltava pro interior e vendia as frutas, e assim foi ao longo dos anos, hoje eles têm 3 lojas e são referência no ramo de atividade aqui na cidade. Semana passada, lá pelas 19h fui até lá e encontrei o pai dele, o japinha (o cara é baixinho) estava no depósito pegando algumas beringelas que estavam debaixo do caminhão (agora um puta caminhão), colocando num carrinho, o qual ele mal conseguia carregar e subindo uma rampa, 2 funcionários estavam na rua esperando uma carona e observavam o chefe fazer esse trabalho, eu acabei o ajudando já que ninguém fez nada. Enfim, depois dessa passagem fiquei pensando, "caralho, o velho já tem 3 lojas a empresa está estabilizada e ele tá aí pegando beringela do chão, será que não tem ninguém pra fazer isso". Pensei nisso e também (nesse caso específico) como os japoneses tem essa capacidade de trabalhar muito, na prática mesmo, durante horas sem reclamar, apenas fazendo. Esse aí já deve ter passado as 10 mil horas faz tempo.

Numa multinacional, principalmente nas áreas administrativas, o trabalho é muito intelectual, você monta planos, se relaciona com as pessoas, com fornecedores, etc.
Sua imagem e como você se relaciona é tão ou mais importante do que sua competência.
Ou seja a prática é uma coisa difícil de medir e refletindo sobre minha vida profissional eu percebo que sempre tive uma limitação mental para entender essa dinâmica e como o sistema funciona, para mim o melhor é medir as pessoas como fazem com os pianistas: ou eles conseguem executar uma música ou não. Mas nas multis isso se perde porque o "como" você faz é mais importante do que o "o que" você faz.

Cada vez mais percebo que a prática, braçal do dia-a-dia é um fator crucial para o sucesso, os americanos tem 2 expressões que resumem bem o que quero dizer:
No pain no gain e Get Things Done.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Último final de semana antes da mudança

Como vocês sabem estou me mudando em breve. Fiquei pensando como ia celebrar meu último final de semana aqui, se deveria aproveitar pra me jogar na night com tudo.

Pensando no que realmente gosto de fazer e que vou sentir saudades pra valer escolhi algo um pouco diferente. Pegar a bike e dar uma volta na noite paulistana, mais exatamente no baixo Augusta...

Esperei dar 22hs e subi na bike. Saca só a playlist....

Saindo da garagem começa a tocar Welcome to the Jungle...que música seria melhor pra enfrentar a Selva que é SP num sábado à noite?? Virei a direita na Campinas com tudo, subidinha casca de 1 Km...nunca subi esse trecho tão rápido...

Uma das coisas que gosto de andar de bike é a liberdade, ir meio que ao sabor dos acontecimentos, com somente uma direção geral na cabeça. Virei em uma rua e dei de cara com essa subidinha...nessa hora começa It's so Easy....nada melhor, força nas pernas e vambora...


Chegando no Trianon encontro esse figura...coisas que você só nota de bicicleta ou a pé...


Dei um role embaixo do MASP, desci por trás e fui em direção à Augusta...A barra começa a pesar um pouco, uma galera estranha, tipo Mr. Brownstone...

A hora que entro mesmo na Augusta começa a tocar Paradise City...puta som, puta vibe...Começo a descer pro centro amarradão, sem grama ou garotas bonitas...mas tá valendo.

Todo aquele pedaço em volta da Praça da República é uma loucura, uma mistura de gente de todos os tipos, baladas gay, prostitutas, travestis misturado com gente comum que mora por ali. Um verdadeiro zoológico humano. Adivinha que som bombando?

"Your daddy works in porno
Now that mommy's not around
She used to love her heroine
But now she's underground
So you stay out late at night
And you do your coke for free
Drivin' your friends crazy
With your life's insanity"

- Acho que as cervejas me tiraram um pouco do senso de direção...

De volta à Augusta, bem mais cheia agora, até que tinha algumas gatinhas, vi várias Rocket Queens por ali...

Pra quem não conhece a história dessa música, o Axel Rose transou com essa garota que eles chamaram de Rocket Queen no estúdio inlui uns gemidos dela na mixagem, dá pra escutar ali pelo terceiro minuto da música. Detalhe que o baterista é que saía com a doida na época...

I see you standing
Standing on your own
It's such a lonely place for you
For you to be
If you need a shoulder
Or if you need a friend
I'll bee here standing
Until the bitter end
No one needs the sorrow
No one needs the pain
I hate to see you
Walking out there
Out in the rain
So don't chastise me
Or think I, I mean you harm
Of those that take you
Leave you strung out
Much too far
Baby-yeah

- Guns and Roses em momento de descontração...
.

Pra fechar em grande estilo, na volta eu tinha que passar pel All Black...ainda mais com uma descida dessas...Peixoto Gomide de noite, quase sem carro na rua...


- Essa é pra descer no gás sem brecar...ainda mais rolando Mama Kin no Ipod...


Foi muito VIP esse tempo que morei aqui perto de tudo. Poder ir em algumas boas baladas a pé foi espetacular. Pra balada São Paulo é imbatível, o tentação da porra...


Hora de ir pra casa. Tava muito cansado, as pernas não respondiam mais, aí começa a última música, se tivesse tentado sincronizar não tinha dado tão certo...dei um puta gás pra entrar na garagem com a música terminando.




- 21 músicas, 1,5 hora e meia de bike, não dá pra ser melhor que isso...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Esse vídeo eu não tinha visto...

Da série "Se você acha que chegou ao fundo do poço cuidado! A madeira abaixo dos seus pés pode ser um alçapão" E um PTista tem a chave...


O jeito que o Lula e Sergio Cabral se dirigem a esse garoto é algo impressionante. Estivesse alguém da imprensa legitimamente interessado em expor a verdade, só com esse vídeo dá pra destroçar os dois. E iguais a esse vídeo devem existir milhares...

Destaque para a educação britânica do Cabral dizendo pro garoto estudar...isso ao lado do maior entusiasta da falta de estudo desse país...

Anti-americanismo

Muita gente no Brasil é contra os EUA. Pegam erros que qualquer país comete, ainda mais sendo uma potência com interesses e envolvimento no mundo todo, e metem o pau querendo botar pra baixo o American Way of Life. Para subsituir usamericanú, parte da imprensa tenta valorizar a China ou países árabes como opções válidas de sociedade ( Viva as Ditaduras !!!)

Ontem assisti a um filme chamado Frost/Nixon. Basicamente conta a história das negociações e da entrevista feita por Frost, jornalista australiano, com o ex-presidente Richard Nixon, que teve que renunciar por conta do Watergate. Lendo depois na Internet, fiquei sabendo que o filme não reflete exatamente a realidade em diversos aspectos, porém no que me impressionou mais ele é real.

Toda a discussão sobre a democracia americana, o sistema político e o impacto de um presidente que age ilegalmente e se julga acima da lei é muito interessante. Novamente, embora eu saiba que está um pouco maquiado e romantizado, e que os americanos não são tão esclarecidos assim, de qualquer maneira é um passo enorme em relação à dramaturgia tupiniquim, tropa de elite incluído aí.

Trata-se de refletir na tela valores como democracia e liberdade, que se não são totalmente praticados por todos, são respeitados e incontestáveis. Existem muitos e muitos filmes de Hollywood, alguns verdadeiros blockbusters que tratam de liberdade de expressão, liberdade de imprensa, etc. A verdade é um valor inegociável. por lá...

Enquanto isso no Brasa...

Nesse final de semana assisti também o documentário Ônibus 174, que alavancou a carreira do Padilha para o fenômeno Tropa de Elite. A abordagem é totalmente outra, mostrando o algoz do sequestro do ônibus somente como vítima. Sem duvida o cara teve uma vida de merda com experiências péssimas. Mas isso justifica tudo?

- Aí parcero...eu sou a vítima valeu? Vo ficá mó triste se a mina morrer...

E as pessoas que tiveram suas vidas afetadas pelos atos do criminoso ( sim, era um criminoso) tem voz? Elas são retratadas no filme, mas apenas como coadjuvantes. O filme conta a história do sequestrador, mostra sua tia, onde morou, onde ficou preso, seus amigos da rua, antigo instrutor de capoeira, todos dizendo que ele seria incapaz de matar. Como se isso justificasse manter meia duzia de pessoas reféns sob a mira de uma arma engatilhada.

Enquanto isso, Geísa Firmo Gonçalves é coadjuvante. Ela foi a garota de 20 anos morta pelo bandido no final do sequestro. No documentário não se mostra seus pais, sua história, seus amigos. Afinal, o filme quer mostrar que a vítima era o sequestrador...

Explica mas não justifica

Essa frase resume muita coisa. Pois o filme explica o que trouxe o marginal até ali de forma muito competente mas falha enormemente ao deixar implícito que isso justifica seus atos. Porque ao falhar em explorar o aspecto de que o sequestrador era um criminoso contumaz, que provavelmente nunca em sua vida trouxe algo de positivo para a sociedade, fica-se ao final com que? Qual a solução? Perdoar todos os infelizes que fazem cagadas e cometem crimes?

Sem dúvida que a polícia carioca cagou nesse dia. É a mais corrupta do Brasil e talvez do mundo! Sistema carcerário segurança pública, tudo uma droga no Rio e em outros lugares. Mas achar que a solução é meter o pau nas otoridades em filmes, novelas, livros ao mesmo tempo que glorifica marginais e excluídos é uma bobagem imensa.

Bobagem repetida diariamente pela imprensa, que aos poucos vai formatando o pensamento vigente. Ou talvez as manifestações culturais apenas reflitam o pensamento da maior parte das pessoas. Pois são poucas que concordariam com essa abordagem dos fatos. Diriam que é simplista de minha parte colocar a culpa no sequestrador que botou a arma na cabeça de mulheres indefesas. Que eu não levei em conta o fato de ele ser negro e que os tataravós dele foram bisnetos de escravos...ou qualquer argumento do tipo.

Mas eu sou simplista e radical mesmo...

Manhã de Fúria...ou A maldição dos Honda Fit

Fui inventar de sair cedo de casa na segunda-feira...não podia dar certo...ainda mais pra trabalhar...

Abaixo o caminho que faço até o trabalho, ridiculamente perto...só mais 10 dias dessa mamata...

Bem, nenhum caminho é tão curto que não dê tempo de se irritar com os animais do trânsito. O primeiro foi no cruzamento com a Brasil, onde tem um sinal que demora horas pra abrir. Andei 2 quadras atrás de um Honda Fit ocupando 2 faixas, a lesma andava a uns 30Km/h se achando provavelmente um motorista muito precavido...

Existe um axioma ( comprovado na prática) de que um carro lerdo na sua frente sempre irá passar no farol laranja ( amarelo quase vermelho) te deixando preso no semáforo. Bem, nesse caso em particular tentei passar pela esquerda, direita, por cima, sem sucesso. Adivinha se o animal de teta não passou no laranja e eu fiquei...

Quando o sinal abre ( 2 horas depois) atravesso e continuo mais um pouco para logo em seguida ter outro Honda Fit em meu caminho...



A foto mostra um carro reto, mas o Honda Fit estava mais como o quadro vermelho mostra, torto pra esquerda e dando seta pra direita...quão animal você tem que ser pra dar uma dessas?

Eu fui pela direita, pois vou reto nesse cruzamento. Enquanto espero, apesar do insulfilme mais escuro que o Mussum que equipa meu automóvel, percebo pelo canto do olho a mulher do Honda Fit abaixando o vidro pra perguntar algo. Como ela parecia perdida, pensei que ia me consultar como pegar a 9 de Julho ou algo assim desafiador pra quem não tem GPS...

Eis que eu abaixo meu vidro e a dileta senhora com aquele sorrisinho besta dos incompetentes me pergunta se pode virar à direita na minha frente. Pedido feito, pedido negado !

A cara de surpresa da mulher ao não ter sua solicitação atendida foi instantânea, afinal dentro da lógica dela, eu que sei onde estou, teria que dar espaço para ela, que não tem a puta da idéia por onde anda. Quando o sinal abriu ela saiu rasgando, cruzou a 9 de Julho e tentou virar à direita na próxima rua, quase batendo de frente com outro carro...

Com tudo isso logo de manhã pensei em adaptar o poema do Drummond substituindo a palavra pedra.

No meio do caminho tinha um Honda Fit
tinha um
Honda Fitno meio do caminho
tinha um
Honda Fit
no meio do caminho tinha um Honda Fit.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um
Honda Fit
tinha um Honda Fit no meio do caminho
no meio do caminho tinha um
Honda Fit.

Esse livro Revolta de Atlas é foda...